Inicial ilaese


Apresentação
Cursos e palestras
Equipe
Publicações
Cadernos do Ilaese
Sindicatos e Entidades
Contato
espaco

Apresentação

“A arma da crítica não pode substituir a crítica das armas:
a força material só será substituída pela força material; mas a teoria em si torna-se também uma força material quando se apodera das massas”

Karl Marx

O movimento sindical brasileiro tem dado grandes indícios de que está passando por um processo de reorganização. No entanto, é possível retomar o sindicalismo classista e independente sem se preocupar com a formação política e teórica dos trabalhadores? Caso sua resposta tenha sido não, vale a pena refletir sobre mais algumas indagações: qual é o projeto de formação teórica e política que existe na sua categoria, sindicato ou associação? Tal projeto abarca os setores mais dinâmicos da categoria e promove o debate e a compreensão dos temas e questões mais importantes da atualidade para a vida dos trabalhadores?

Em poucas palavras, os ativistas da sua categoria estão preparados política e teoricamente para o enfrentamento com os governos, os patrões e a burocracia sindical que os apóia?

Ajudar a enfrentar este desafio da Formação para a Ação é o propósito do Ilaese (Instituto Latino-americano de Estudos Sócio-Econômicos), fundado em 2003. Nosso objetivo é fornecer cursos de formação política e teórica para sindicatos e entidades do movimento popular, estudantil, camponês, etc., com o intuito de contribuir com o processo de retomada das lutas sociais e de construção de uma nova direção para o movimento sindical e estudantil no Brasil, um sindicalismo classista e independente do Estado.

O Ilaese baseia sua atuação em uma série de atividades cujo centro são os cursos de formação, mas também podemos citar os seminários realizados em parceria com os sindicatos conveniados, palestras e debates em torno das questões mais prementes da atualidade, além de um conjunto de publicações como cadernos de formação teórica, cadernos de debates e cartilhas.

Um instituto marxista a serviço da construção da Conlutas

O Ilaese tem fronteiras políticas e teóricas amplas, embora sejam bem definidas. Nosso esforço é o de poder oferecer uma formação de caráter marxista e que claramente reivindica a luta pela revolução socialista. Buscamos nos apoiar no patrimônio da experiência de luta da classe trabalhadora em âmbito internacional desde a formação do capitalismo industrial até os dias atuais.

Sendo assim, nossos cursos e atividades pretendem fazer uma ponte com a história de luta dos trabalhadores de todo o mundo, no passado e no presente, com a experiência prática e teórica desde as primeiras grandes jornadas de lutas do proletariado industrial no século XIX, resultando na formação dos primeiros sindicatos, partidos operários e associações internacionais de trabalhadores, até a revolta recente da juventude francesa, a resistência do povo iraquiano e as revoluções que incendiaram nos últimos anos a América Latina, como na Bolívia, Equador e Argentina.

O resgate do patrimônio teórico e programático do marxismo revolucionário se faz ainda mais necessário diante da experiência que os trabalhadores e demais oprimidos estão fazendo com o PT e o governo Lula. O fracasso deste governo demonstra que a perspectiva da humanização do capital e da cidadania sob o capitalismo, com a qual o PT iludiu nos últimos anos as classes exploradas e oprimidas no Brasil, não passa de uma farsa embalada por uma esquerda dócil e corrupta. O que se comprova é que um governo que procura se limitar à realização de reformas no capitalismo acaba se tornando um governo da contra-reforma e uma esquerda cujo horizonte último é somente a ampliação da cidadania acaba se tornando seu maior algoz, pois suas ações no poder têm resultado em constantes perdas de direitos sociais e trabalhistas.

Justamente para superar este campo da “esquerda da ordem”, colocamo-nos no marco de que é necessário contribuir para a criação de uma nova direção para o movimento sindical e estudantil no Brasil e de que devemos retomar um sindicalismo de caráter classista e que se posicione de forma independente frente ao Estado. Até agora, a experiência mais exitosa para a reconstrução desta nova direção tem sido a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas). Tal organização, mesmo que de modo ainda embrionário, tem se mostrado a principal alternativa para responder aos inúmeros ataques que os trabalhadores sofrem atualmente do governo Lula e para enfrentar e superar a burocracia sindical da CUT e da Força Sindical.

É por compartilhar desta mesma perspectiva de luta contra o reformismo e a burocracia sindical e estudantil que o Ilaese se coloca a serviço da construção da Conlutas.

Neste sentido, na busca de uma alternativa real que vá além do projeto do capital é que ganha atualmente suma importância uma formação política e teórica consistente dos ativistas das lutas dos explorados e oprimidos. Justamente para este caminho rumam nossos cursos, que versam sobre história do movimento sindical brasileiro, o estudo das classes e do Estado na sociedade capitalista, a reflexão sobre a opressão das mulheres, dos negros, indígenas e homossexuais, a estratégia da revolução e do Socialismo, o conhecimento e a defesa da Saúde e Segurança do trabalhador nos locais de trabalho, a atuação dos sindicalistas e cipeiros no local de trabalho, os estudos teóricos e a vivência prática da Educação Pública e tantos outros temas abordados em nossos cursos, palestras, seminários e publicações.

A luta teórica contra o neoliberalismo e o reformismo

A formação política dos trabalhadores cada vez mais é objeto de disputa entre trabalho e capital; podemos citar ao menos dois grandes setores com forte influência neste campo: as grandes burocracias sindicais como CUT e Força Sindical e, além deles, os próprios capitalistas. Atualmente, os vários “projetos de qualidade total”, além de estarem voltados para o aumento da exploração e do controle do trabalho, igualmente buscam moldar o trabalhador dentro dos ideais do capital. Um pequeno mas significativo exemplo disto se encontra na troca nada inocente do uso de algumas palavras, como é o caso da substituição do termo trabalhador por parceiro ou colaborador. Não se trata apenas de uma ingênua mudança de nomes, mas de uma mudança de posição na luta de classes. Na medida em que os trabalhadores se vêem como parceiros dos patrões, os trabalhadores das outras firmas passam a encenar o papel de concorrentes e não de solidários na mesma luta contra o capital.

Não por acaso as empresas querem fazer crer que os “seus” trabalhadores fazem parte de um mesmo time, ou pior, de uma família. Felizmente, sabemos que os trabalhadores não são tão facilmente convencidos pela idéia da parceria com os patrões e se muitos atualmente “vestem a camisa da empresa”, a maioria o faz pelo medo do desemprego que é, em último caso, quem de fato mantém a autoridade do capital.

Diferente dos trabalhadores, que são muitas vezes obrigados a ser obedientes, os patrões têm alguns aliados que juram obediência como profissão de fé: trata-se da burocracia sindical instalada nas principais centrais do país, como a CUT e a Força Sindical. Para estas centrais, a crise se tornou um grande negócio, pois fornece uma demanda fiel de trabalhadores desempregados para os cursos de “recolocação” no mercado de trabalho. Com vultosas verbas do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), tais centrais criaram uma verdadeira “indústria do desemprego”, ao mesmo tempo em que confundem os trabalhadores ao colocarem que o problema do desemprego será resolvido através de saídas individuais de (falsa) qualificação da força de trabalho.

Afinal, de que qualificação então precisamos? É necessária uma teoria que esteja à altura dos nossos desafios e com certeza ela não se encontra no campo do reformismo. A derrocada do PT e da CUT como principais representantes da classe trabalhadora sugerem uma nova fase para o movimento sindical brasileiro. Mas tal oportunidade só será vitoriosa com uma sólida formação política e teórica dos setores mais ativos do movimento.

Portanto, a atividade de formação não pode ser encarada apenas “quando dá tempo”. Ela não é nem mais nem menos importante, é apenas mais uma dentre as tantas atividades da militância cotidiana, tal como realizar uma assembléia, fazer um piquete, distribuir o material do sindicato etc. Este é o desafio que nos colocamos e o convite que lhe fazemos.

Saudações revolucionárias,

Coordenação do Ilaese

topo
Página inicial Rua Matias Aires, 78 - Consolação - São Paulo Tel: (11) 3285-2352 E-mail: ilaese@ilaese.org.br
espaco